Home Data de criação : 08/07/08 Última atualização : 14/04/29 21:09 / 209 Artigos publicados

Natureza em pequena escala - Aranha-de-alçapão  escrito em terça 29 abril 2014 16:09

Blog de vidaselvagem :Vida Selvagem, Natureza em pequena escala - Aranha-de-alçapão

A aranha-de-alçapão é uma criatura esquisita (A). Quem a olha, logo de imediato acha que a espécie possui 10 pernas e não 8 que é o número característico de patas dos aracnídeos. Entretanto, os dois primeiros pares não são suas patas e sim os palpos. O fato é que nelas os pedipalpos (observar setas) crescem de forma exagerada o que gera essa confusão. Dentre as inúmeras espécies de aranhas existentes, as aranhas-pedreiro destacam-se pelo seu curioso hábito de escavar tocas em forma de alçapão e surpreender suas vítimas assim que elas esbarrem o “campo minado” na borda da galeria (B). Sua eficaz armadilha nem sempre garante-lhe uma boa refeição. Acontece que vez por outra a predadora torna-se a presa, especialmente quando dá de cara com algum inimigo que inadvertidamente aproxima-se da toca. Nessas circunstâncias cabe a aranha voltar o mais rápido possível para o buraco e bloqueá-lo com seu abdôme cascudo (ver no detalhe)

O mundo das aranhas é fascinante e um tanto quanto misterioso. Encontramos espécies balonistas, que atiram rede, que são aquáticas e também que constróem galerias subterrâneas – as denominadas aranhas-de-alçapão, caranguejeiras-de-alçapão ou aranhas-pedreiro (família Ctenizidae).

Essas criaturas medem, em torno, de 3,5 cm de comprimento e têm por característica os longos pedipalpos, os quais chegam a ser confundidos com patas (de tão grandes que são). Ao observá-las ao ar livre você tem a clara impressão de que possuem 10 pernas no total e não 8.

Engenhosas, essas aranhas fazem túneis de cerca de meio metro, sendo a tampa móvel dessas galerias fixadas com seda, como um tipo de alçapão. No interior do buraco, mas não no fundo, a predadora se mantém em alerta. A posição dela no túnel é estratégica, já que escava uma galeria anexa que a livra de possíveis inundações e inimigos. Lá em cima, na borda da armadilha, a espertalhona aranha tece fios de seda que anunciam por meio de vibrações sobre a aproximação de qualquer inseto incauto. Detectada a presa, a aranha sai do buraco a uma velocidade espantosa, agarra a vítima e a arrasta para dentro da cova imobilizando-a com seu veneno. Dentro do funil, em paz, a aranha se alimenta da presa parcialmente liquefeita.

Contudo, sua perspicaz técnica de caça vez por outra a trai. Certas investidas dessa predadora de vez em quando falham, pois ao dar caça na superfície a aranha-de-alçapão desconhece qual o bicho que esbarrou na armadilha. Aí ao invés de se deparar com uma presa, acaba frente a frente com um predador. Diante dessa situação inusitada, resta à aranha voltar o mais depressa possível para dentro do buraco e lacrá-lo com seu rígido abdôme. Isto é claro, se tiver tempo pra isso! 

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

 

 

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Natureza em pequena escala - Moscas mortais  escrito em domingo 13 abril 2014 15:30

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As moscas são extremamente incômodas e tente matá-las para cessar com a perturbação. Certamente você gastará um pouco de energia para obter êxito em acabar com os irritantes insetos! Isso porque as moscas, graças a seus olhos compostos, têm ótima percepção do ambiente a sua volta e antes mesmo de serem golpeadas elas já alçaram vôo para longe do perigo. Dentre as muitas espécies, algumas se destacam tanto pela dieta quanto pelas moléstias que transmitem.  As mutucas, por exemplo, apreciam, e muito, o sangue de mamíferos e suas picadas se não limpas podem infeccionar (A). Já as temidas tsé-tsés africanas são as responsáveis por propagar a doença-do-sono tanto em animais quanto no próprio homem (B).

As moscas são criaturas nojentas e transmissoras de diversas moléstias, porém são úteis na cadeia alimentar, já que fazem parte da dieta de muitos animais. Elas pertencem à ordem Diptera – o que significa que têm duas asas.

No verão, as moscas incomodam. Mas imagine se todos os animais que as comem, tais como aranhas e pássaros, desaparecessem. Em apenas três meses, uma única fêmea produziria mais de 360 milhões de larvas. A partir daí, imagine o pandemônio que seria?

No globo existem cerca de 250.000 espécies de moscas. Muitas são perigosas pelo simples fato de disseminarem germes ao passar sobre os alimentos. Contudo, existe um pequeno grupo desses insetos que chama à atenção tanto pelo cardápio quanto pelas moléstias que propagam.

As mutucas (Tabanus bovinus) têm má reputação devido aos hábitos alimentares. A fêmea da espécie é sedenta por sangue, tanto de animais quanto do próprio homem. Essas moscas de cerca de 2 cm não transmitem doenças, mas o local onde picam se não for limpo pode infeccionar.

A mais famigerada de todas as moscas é a africana tsé-tsé (Glossina palpalis). Ao picar atrás de sangue a tsé-tsé injeta uma saliva anticoagulante na pele da vítima e junto com a saliva germes da temida doença do sono – fatal para vacas, cavalos e pessoas. Esses insetos de 2 cm de comprimento são abundantes em certas zonas tropicais da África. Os sintomas da doença que transmite são muita exaustão e sonolência.

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem


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Natureza em pequena escala - Aranha-cara-de-ogro  escrito em sábado 12 abril 2014 14:46

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A aranha-cara-de-ogro é feia de doer. A espécie é assim chamada por causa de seus dois imensos olhos que se destacam entre os demais, os quais ajudam na tarefa de localizar insetos (A). Quando localiza um alvo, a predadora lança sobre a presa uma rede feita de fios de seda altamente resistente e viscosa que impede que a pobre vítima escape (B).  

No misterioso mundo das aranhas encontramos excêntricas espécies. Muitas constróem complexas teias e aguardam que suas vítimas fiquem presas nos fios pegajosos. Já outras simplesmente saem atrás de suas presas. Porém, existe um seleto grupo de “aranhas espertalhonas” que fazem verdadeiras arapucas para garantir o inseto de cada dia; caso das engenhosas atiradoras-de-rede.

A aranha-cara-de-ogro ou atiradora-de-rede (Dinopis guatemalensis) é uma das mais curiosas espécies de aranhas que existe. Assim como um pescador lança a rede para apanhar peixe, esta aranha joga a teia sobre a presa. A curiosa espécie é encontrada nas florestas tropicais das Américas. Mede de 12 – 30 mm de comprimento e é uma voraz devoradora de insetos. Durante o dia com suas oito pernas bem dobradas sob o corpo, ela parece um raminho de árvore muito bem mimetizado. Contudo, quando à noite cai essa estranha criatura monta sua armadilha: uma teia grossa, grudenta e flexível que segura com as pernas dianteiras.

Depois, pacientemente aguarda!

Se um inseto incauto se aproxima, a aranha-cara-de-ogro joga a teia, envolve-o na viscosidade dos fios e suspende a vítima. Na seqüência injeta um veneno na presa que a paralisa ao mesmo que a liquefaz. Por fim, à predadora saboreia sua refeição. 

 

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem



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Natureza em pequena escala - Centopéias  escrito em sábado 29 março 2014 15:43

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As centopéias têm uma aparência bizarra. Essas ágeis predadoras atuam em meio à escuridão apanhando uma grande variedade de presas, imobilizando-as com veneno inoculado por meio de suas patas modificadas (ver os ferrões, no detalhe). Quando ameaçadas, as lacraias fogem o mais rápido que podem. E o montão de pernas não as impede de ter boa desenvoltura durante a corrida, já que poucas patas tocam o solo a cada passada. Os ferrões das lacraias são intimidadores, mas a ação de seu veneno no organismo humano é insignificante. Entretanto, o mesmo não se pode dizer da mecânica da picada, pois, essa sim, é muito dolorosa! 

O solo das matas tropicais é forrado de vida. No substrato, em meio à grossa camada de matéria vegetal em decomposição, milhares de seres de diferentes formas, hábitos e tamanhos se desenvolvem. Algumas dessas criaturas ocultas só de serem lembradas já causam verdadeiros “arrepios”.

Dentre os mais bizarros seres estão às famigeradas lacraias ou centopéias.

Conforme o nome vulgar, a maioria das centopéias tem mesmo 100 pernas, mas dependendo da espécie e do tamanho elas podem chegar a ter 354 patas. Ao contrário do que se imagina esse montão de pernas não atrapalham essas vorazes predadoras ao correr, pois no ato da corrida as lacraias tocam o solo com apenas 3 patas de cada vez dando-lhes mais agilidade e velocidade. Note também que para cada segmento de seu corpo longilíneo existe um par de patas de cada lado, diferentemente de seus primos – os piolhos-de-cobra -, que têm dois pares de pernas para cada segmento.

As lacraias capturam insetos, aranhas, rãs, lagartixas, roedores e cobras paralisando-os com um veneno inoculado por meio de seus ferrões (através de patas dianteiras modificadas). Contudo, também não desprezam a oportunidade de comerem bichos mortos.

Dentre as muitas espécies de lacraias, uma das mais belas e também perigosas é a centopéia-gigante (Scolopendra gigantea). A espécie encontrada nas florestas da América Central e do Sul chega a atingir 30 cm de comprimento. Sua coloração característica de padrão preto e alaranjado serve de alerta aos seus inimigos de que se trata de um animal perigoso e que por isso deve ser mantido à distância.

Curiosamente as lacraias perscrutam seu habitat sempre à noite, pois detestam o calor do dia. Isso porque podem facilmente secar se expostas à luz. Quando em perigo, mesmo as centopéias grandes podem entrar sem dificuldades em pequenas frestas, graças, a flexibilidade do esqueleto. Já para sair de buracos estreitos, elas se valem das imensas patas traseiras que de tão robustas que são auxiliam-nas na árdua tarefa de sair de ré.

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

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Natureza em pequena escala - Abelhas  escrito em quarta 26 fevereiro 2014 17:39

Blog de vidaselvagem :Vida Selvagem, Natureza em pequena escala - Abelhas

As abelhas são trabalhadoras incansáveis, capazes de executarem suas tarefas do nascer do Sol até o poente. Dentre seus inúmeros afazeres está a polinização (A). Note, no detalhe, uma abelha-arapuá sobrevoando uma flor de lírio. Ao visitar as plantas e colher o néctar, as abelhas ficam com os pêlos do corpo impregnados de pólen. Sendo assim, ao visitar outra planta e aterrissar sobre a corola de uma flor que seja da mesma espécie, elas involuntariamente realizam a fertilização do vegetal (B).

As formigas sempre foram tidas como símbolo do trabalho, capazes de desempenharem suas tarefas de forma incansável noite e dia. Contudo, no mundo dos pequenos seres existe outro grupo de mini-bichos que pode dividir o pódio com as mesmas – as abelhas!

Existem no globo 20.000 espécies de abelhas, sendo as abelhas européias (Apis mellifera) as mais estudadas. Tôdas as espécies de abelhas, sejam agressivas ou inofensivas, têm complexos meios de comunicação tanto para manter a colônia coesa quanto para encontrar alimento. Esses insetos sociais simplesmente propagam às informações uns aos outros de um jeito bem inusitado ao dançar. Isso mesmo! Quando uma abelha campeira (aquela que é responsável por realizar a busca de alimento) regressa à colméia, ela traz consigo uma amostra da fonte de comida que descobriu e avisa suas parceiras sobre o achado. Se o alimento for abundante o grau de excitação da dança-do-requebrado, como é assim chamada tal forma de expressão, será tão empolgante que conduzirá suas companheiras até lá. Agora caso duas abelhas batedoras encontrem fontes distintas de alimento, aquela cuja dança for mais complexa com um número maior de “requebros” é a que levará a melhor e conduzirá o enxame até o local enquanto que a abelha que dançou com menos empolgação terá o dever de partir em busca de nova e melhor fonte alimentar.

É através dessa “dançinha”, que pode ser desde um círculo para curtas distâncias até um tipo de “8” para percursos acima de 100 metros que a abelha posiciona suas irmãs sobre qual a distância em que o alimento está da colônia, sua quantidade e qual o tipo de comida (já que elas não consomem só néctar, mas também pólen, seiva, água e produtos industrializados). Contudo, não é apenas por meio da dança-do-requebrado que as melíferas expressam as informações, se valendo também de sinais químicos e sons. Entretanto, experimentos científicos comprovaram que a linguagem da dança traz informações mais objetivas e claras sobre as fontes de alimento do que os demais meios de comunicação.

As abelhas formam colméias com 50 a 80 mil membros. Essa sociedade altamente organizada é constituída em sua imensa maioria por abelhas operárias que são as responsáveis por múltiplos trabalhos que vão desde cuidar dos favos até buscar água para refrescar o ninho além, é claro, de protegê-lo. Já os zangões, têm a única função de acasalar com a rainha, nada mais. Essa última, por sua vez, é a que mantém a colméia unida por meio de feromônios, sendo a única abelha fértil e, portanto, responsável pela geração de novas abelhas.

Curiosamente existem no reino das abelhas certas espécies que não constróem grandes ninhos, vivendo solitariamente – são as falsamente temidas mamangavas-de-toco. Esses abelhões, igualmente importantíssimos para a polinização, fazem suas casas em madeira apodrecida tendo sido observados perfurando não só troncos de árvores no meio natural, como também abrigos artificiais criados pelo homem, tais como postes de madeira e mourões de cerca.

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

   

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