Home Data de criação : 08/07/08 Última atualização : 14/09/28 21:12 / 215 Artigos publicados

Natureza Feroz - Leões  escrito em quinta 18 novembro 2010 16:59

ataques de leões a seres humanos

Blog de vidaselvagem :Vida Selvagem, Natureza Feroz - Leões

Vossa majestade: o leão macho não tem a vida ganha como muitos acham, pelo contrário! Ele vive sendo confrontado por machos rivais, loucos para lhe tomar o lugar, aniquilar seus filhotes e acasalar com suas fêmeas. Dois leões machos andando juntos são provavelmente irmãos que tentam a qualquer custo alcançar seu "lugar ao sol" (A). Após sucessivas tentativas, uma hora eles conseguirão tomar o lugar de algum outro macho. Quando isto ocorrer, se o leão deposto não sucumbir durante a sangrenta batalha, ele sairá dela destruído com a imponente juba negra em frangalhos (B). Daí então estará condenado a viver só e, ferido, ele, talvez, nem ao menos tenha força para capturar suas presas tornando-se nesse estado muito perigoso para as pessoas.

 

Os leões (Panthera leo) estão entre os maiores predadores do mundo natural, muito embora só consigam obter êxito em cerca de 30% das incursões de caça. Cruelmente abatidos pelo homem, eles só são encontrados em alguns países do centro sul da África e na reserva indiana de Gir, na Ásia. Entre todos os felinos são os únicos que vivem em bandos, liderados por um grande macho de jubas negras. Na sociedade leonina cada indivíduo desempenha um determinado papel: as fêmeas são incumbidas de cuidar da prole e também providenciar alimento para o grupo. Já o macho, ao contrário do que muitos pensam é o encarregado por zelar pela integridade de todo o bando, ou seja, ele é quem enfrenta outros leões que tentam matar seus filhotes e a qualquer custo tirá-lo da soberania do grupo, escorraçando-o. As hienas e os cães-selvagens também são trabalho do leão, pois é ele quem normalmente costuma eliminar esse tipo de concorrência. Por vezes o macho também é acionado para dar cabo de presas demasiadamente grandes para as leoas abaterem.

A disparidade de tamanho é notória entre os leões. As leoas medem de 2,4 - 2,7 m de comprimento; já os leões machos alcançam de 2,6 - 3,3 m, sem contar à cauda que em ambos os sexos atinge de 60 cm até 1 m de extensão. Quanto ao peso, machos e fêmeas, mostram-se igualmente distintos. Os primeiros oscilam entre os 150 - 250 kg, enquanto os últimos de 120 - 185 quilos. As leoas são menores e mais leves do que os machos porque cabe a elas a árdua tarefa de caçar (até por que não é nada fácil a um leão macho provido de uma juba grande e pesada sair correndo atrás de suas vigorosas presas, fato este que o levaria rapidamente ao cansaço e conseqüente insucesso).

Exímios caçadores, os leões impõem respeito em seu habitat. A estratégia de ataque em grupo dos leões apesar de se mostrar menos eficiente que a do guepardo (que caçando solitariamente obtém mais de 50% de êxito) mesmo assim os possibilita apanhar presas de porte. Dentre elas: zebras, gnus, antílopes, búfalos, hipopótamos, girafas, facóceros e até filhotes de elefantes. Contudo, certos espécimes adquirem vez por outra o perigoso hábito da predileção pela carne humana!

Os "comedores de homens" são em geral animais que se mutilam em combates, caso dos leões machos que acabam depostos pelos rivais. Também se tornam perigosos para nós, humanos, aqueles felinos feridos durante as caçadas os quais acabam com uma pata quebrada, cegos de um dos olhos ou mesmo com espinhos fincados nalguma das patas; essa última situação normalmente ocorre quando um leão incauto tenta atacar com toda a fúria o temido porco-espinho. Leões debilitados pelas diferentes causas citadas não têm forças para perseguirem suas fortes e ágeis presas naturais acabando por atacar pessoas que são alvos fáceis de serem abatidos.

Em um período de 15 anos foram registrados mais de 700 ataques a humanos, na Tanzânia. Infelizmente muitos desses acidentes ocorreram pela negligência das pessoas que desobedeceram as mínimas normas de segurança dos santuários de vida selvagem tal como não descer dos veículos de observação, não incitar os felinos oferecendo-lhes alimento ou os ameaçando e ainda evitando deixar a segurança do acampamento ao escurecer. Entretanto, em 1898, durante a construção de uma ponte ferroviária sobre o rio Tsavo, no Quênia, África, dois leões mataram quase 140 operários de uma empresa da Inglaterra, responsável pela obra. Apesar de os homens tentarem se proteger com cercas e fogueiras, os ataques continuavam. Muitos deixaram o local. Só voltaram quando, finalmente, os leões foram mortos a tiros pelo engenheiro John Henry Patterson. Dois fatores podem ter contribuído para que os leões buscassem presas humanas. O primeiro seria uma epidemia que havia matado naquela década milhões de zebras e gazelas, diminuindo a oferta de alimento. O outro, as covas precárias em que eram enterrados operários que morriam de acidentes ou doenças - ao comerem os cadáveres, os leões podem ter começado a buscar humanos como suas presas. Hoje em dia os dois leões assassinos que disseminaram o terror naquela época estão empalhados no Field Museum, em Chicago, nos Estados Unidos; além de terem sido retratados no filme A Sombra e a Escuridão, de 1996.

 

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

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1 comentário(s)

  • venhaquemvier Sáb 20 Nov 2010 01:15
    muito bom o artigo, um abraço.


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