Home Data de criação : 08/07/08 Última atualização : 14/04/29 21:09 / 209 Artigos publicados

Predadores TOP  escrito em segunda 14 julho 2008 17:31

Blog de vidaselvagem :Vida Selvagem, Predadores TOP

Conheça os animais que desbancaram tigres, leões, ursos e lobos do topo da cadeia alimentar, e se tornaram predadores máximos em seus respectivos habitats.

Quando falamos em grandes predadores obviamente sempre nos lembramos de tigres, leões, ursos, lobos e águias. Claro, eles merecem todo o nosso respeito e admiração, pois são, sem dúvida, mestres na arte de matar – “parece até que eles vão até a geladeira e, simplesmente, pegam seu prato predileto, de tão corriqueiro que é na vida desses bichos o modo como agem, perseguindo, atacando e matando de forma sorrateira suas pobres vítimas”. Contudo, o posto de predadores máximos não cabe só a eles, mas também a outro time de feras menos conhecidas, pelo menos até agora.

Os répteis são bons exemplos de bichos que ocupam com certo brilhantismo a parte mais alta da pirâmide da cadeia alimentar. Eles impõem respeito a grandes mamíferos, advertindo-os através de sons de alta freqüência (subsônicos) sobre o perigo que correm em penetrar inadvertidamente em seus territórios. Sem contar que até hoje pertence a eles o “troféu” de maiores dizimadores da espécie humana.  Bom exemplo disso aconteceu nos tempos de Alexandre, o Grande, quando mais de 1.000 soldados de seu exército morreram atacados e devorados pelos monstruosos crocodilos-do-nilo (Crocodylus niloticus) no delta do rio Nilo, em uma missão mal-sucedida comandada pelo general Periccas que tentava tomar Tebas, no Egito, em 321 a.C. Contudo, nos dias atuais, infelizmente, centenas de pessoas são mortas na África por esses répteis, especialmente, aquelas que necessitam lavar seus utensílios na margem dos rios.  

Além do crocodilo-do-nilo que chega a medir mais de 6 metros e a pesar até 900 kg, o crocodilo-de-estuário (Crocodylus porosus), encontrado no sudeste asiático e norte da Austrália, também é outra espécie que oferece real perigo para o homem, já que certos exemplares ultrapassam a metragem do primo africano.  Esses crocodilianos, apesar de corpulentos, aproximam-se de forma sutil de suas presas, surpreendendo-as com um ataque rápido e fulminante. Outra particularidade desses bichos é o fato de conseguirem ficar até 1 ano sem se alimentar, consumindo apenas suas reservas de gordura (jejum que pode transformar o predador em presa de outros carnívoros).

Dentre os grandes predadores do planeta esta o dragão-de-komodo (Varanus komodoensis), que chega a medir mais de 3 metros de comprimento e a pesar mais de 130 kg. Esses lagartos são encontrados nas ilhas de Komodo, Celebes, Timor e Flores (essa última conta com mais animais que os demais arquipélagos citados).  Por lá, esses répteis de baixo metabolismo dominam de forma absoluta. E, não pense que com o tamanho que possuem se alimentam de pequenas presas, pelo contrário, comem grandes cervos, javalis e carniça. Há! Também não desprezam a oportunidade de abocanhar um dos nossos. Lentos, os dragões caçam pacientemente, valendo-se de sua virulenta mordida para matar suas presas, em geral, as vítimas sucumbem de uma infecção generalizada. Entretanto para poderem saborear a caça, os dragões-de-komodo, após morderem uma presa aguardam que as bactérias façam o serviço, aí então, localizam a presa através do apurado olfato e a atacam. Nessa altura do campeonato a presa já esta morta ou moribunda, e não esboça nenhuma reação ao ataque do lagarto gigante. Vale lembrar que o dragão também é canibal; por isso, só lambe os beiços ao ver algum outro espécime menor.

Aqui mesmo, no Brasil, temos um bom exemplo de um predador TOP. Trata-se da jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), espécie que mede no máximo 1,20 m e é dona de uma das mais letais tôxinas de que se conhece: o veneno botrópico-insularis.  Este ofídio vive somente nas matas da ilha da Queimada Grande (espécie endêmica), um rochedo com 1,5 km de comprimento por 400 metros de largura, situado a 36 km da costa de Itanhaém – SP. Nessa pequena ilha vivem cerca de doze mil cobras (segundo estimativa do Instituto Butantã), todas com uma peculiaridade – um veneno 14 vezes mais potente do que o das jararacas do continente. Rainha absoluta do local, a jararaca-ilhoa tem no mimetismo e na ação mecânica do veneno suas maiores armas. Como a ilha é desprovida de mamíferos terrestres, a serpente condicionou sua peçonha para atacar aves, por isso, o grau de tôxinas de seu veneno é muito maior do que o das outras espécies de jararacas, matando uma ave em poucos segundos. Se assim não fosse, os pássaros seriam mordidos por ela, alçariam vôo e morreriam distante demais para que ela os encontrasse. Já o veneno conta com um agente hemorrágico que faz suas vítimas sangrarem em abundância pela boca, nariz e olhos.  No homem, a ação do veneno leva-o a morte em apenas 2 horas se não houver socorro médico (ver foto da espécie).

Para não dizer que entre os mamíferos também não existem os predadores TOP, fora os grandes carnívoros um tanto quanto conhecidos e já mencionados, existe o glutão ou carcaju (Gulo gulo), uma espécie de mustelídeo pouco maior do que um cão buldogue que pesa pouco mais de 20 kg. Este voraz parente da marta e da doninha é a fera mais temível da região subártica, colocando pra correr uma alcatéia inteira de lobos caso esteja interessado em tomar a presa abatida por eles. O glutão é tão feroz que nem o temível puma encara um combate, preferindo afastar-se sem um confronto direto. Além disso, o glutão, quando enfezado exala um odor fétido e repugnante, que causa náusea aos inimigos. Alimenta-se de pássaros e ninhadas, peixes, roedores, pequenos cervos e até mesmo alces, os quais surpreendem sorrateiramente saltando sobre eles a partir de uma pedra ou árvore.

Outro destemido mamífero que faz parte do grupo dos predadores TOP é o texugo-do-mel ou ratel. Este pequeno parente do glutão é respeitado pelos grandes predadores africanos, colocando pra correr bichos como o leão, a hiena, o leopardo, a chita e o chacal caso eles cruzem seu caminho. Esse mustelídeo (família a qual pertence) de aparência atarracada é tão voraz que não teme em atacar as temíveis cobras-de-capelo e as biútas, travando com ambas ferozes batalhas, onde mesmo picado sobrevive ao terrível veneno dessas najas, matando-as e delas se alimentando.  

Agora que vocês já conhecem esse time de feras já sabem que eles merecem o seu “lugar ao sol”. Portanto já podem mencioná-los e defendê-los, em especial, quando alguém categórico afirma que só o leão é “o rei dos animais”.  De fato nossa majestade, o leão, o é, mas certamente tem de dividir o trono com esse esquadrão de feras.

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

 

 

 

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