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Caranguejos - Blindados do Reino Animal  escrito em sexta 24 outubro 2008 17:31

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Acima: as diferentes espécies de caranguejos com suas estranhas particularidades. Em primeiro plano o engraçado ermitão (A), depois um belo espécime com pinças de tamanhos desiguais (B), na seqüência um caranguejo-mochileiro (C) com uma anêmona fixada sobre si e por último um exemplar de uma espécie que se movimenta com extrema agilidade nos troncos das árvores (D).

Os caranguejos são bichos sensacionais. Para aqueles que os acham criaturas estranhas e sem nenhuma importância, enganam-se. Saiba que esses crustáceos são fundamentais para o bom funcionamento das áreas estuarinas, além de figurarem na dieta de inúmeros animais. Contudo, as cerca de 4.500 espécies existentes de caranguejos possuem particularidades que as tornam únicas: alguns são minúsculos e fervilham na faixa das marés, já outros apresentam características e hábitos bem incomuns, como o robusto caranguejo-dos-coqueiros (Birgus latro) que tem o estranho hábito de subir em coqueiros à procura da polpa dos frutos. Quando alcança o comprimento máximo de 30 cm, ele deixa de viver em conchas, pois desenvolve uma carapaça que lhe protege a região abdominal.

Outra curiosa espécie de caranguejo é o bernardo-eremita ou ermitão (Eupagurus bernhardus). Esse engraçado crustáceo, ao contrário da maioria dos caranguejos, tem o abdome muito mole e não possui carapaça. Devido a essa deficiência natural, que o torna vítima fácil de predadores, ele procura abrigo na concha vazia de outro animal, e ali passa a viver. Entretanto, como esse abrigo não acompanha o seu crescimento, ele é obrigado a procurar conchas maiores à medida que se vai desenvolvendo (pode atingir 40 cm de comprimento). Espertalhão, por vezes, removem cuidadosamente anêmonas-do-mar de sobre as rochas para então fixá-las sobre sua própria concha; isto lhes garante maiores chances de sobrevivência no caso de serem atacados por predadores, pois, os tentáculos venenosos da anêmona mantêm à distância qualquer inimigo. Para conseguir se instalar e firmar-se no interior das diferentes conchas pelas quais passa, o ermitão desenvolveu apêndices do abdome que o ajudam a se agarrar ao fundo de cada novo abrigo.

No estranho e curioso mundo dos caranguejos encontramos espécies de dimensões reduzidas, como o Pinnotheres pisum, capaz, de se hospedar sem nenhuma dificuldade no interior de moluscos bivalves. Em contrapartida o caranguejo-gigante-do-Japão (Macrocheira kaempferi) é a maior espécie de caranguejo que se conhece. Alcança nada mais nada menos do que 3,5 m de envergadura, graças, as pernas longas e delgadas. Ao passo que outras espécies desenvolvem pinças de tamanhos desiguais, usadas com o objetivo de atrair a atenção da parceira (chama-maré); ou então, procuram chamar a atenção carregando nas costas esponjas-do-mar e conchas, caso do caranguejo-carregador (Dromia vulgaris). Além disso, certas espécies apresentam uma admirável agilidade nas árvores.

Os caranguejos, em geral, se alimentam dos restos de outros animais. Também costumam recolher com as pinças pequenos montes de lodo de forma arredondada, dos quais extrai as partículas orgânicas. A parte inorgânica ingerida é mais tarde rejeitada pelo caranguejo em forma de uma pelotinha menor do que a anterior que acaba atirada para longe da toca pelo “vândalo”. No entanto, os caranguejos são também oportunistas não dispensando a chance de atacar tartarugas-marinhas recém-nascidas, capturando-as com as pinças e em seguida levando-as para o interior das tocas.  

A reprodução na vida desses crustáceos é bem complexa. Após o intricado ritual de acasalamento, a fêmea fica carregada de milhares de pequenos ovos presos aos apêndices abdominais, protegendo-os durante o tempo necessário ao seu desenvolvimento. Quando os ovos estão maduros, ela mergulha no mar, onde os ovos se soltam apenas no momento da eclosão. Do ovo nasce uma primeira larva, que flutua livremente e que, por meio de cinco mudas sucessivas, se vai desenvolvendo cada vez mais. No estágio larval chamado <<zoeia>>, os caranguejos são minúsculos, transparentes, com olhos salientes, carapaça munida de apêndices e de espinhos, abdome com a extremidade bífida.

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

 

 

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