Home Data de criação : 08/07/08 Última atualização : 14/12/07 20:15 / 216 Artigos publicados

Adaptados ao Extremo - Lagartos  escrito em segunda 01 dezembro 2008 20:05

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Blog de vidaselvagem :Vida Selvagem, Adaptados ao Extremo - Lagartos

Acima: O curioso peixe-da-areia com seu corpo longo, liso e aerodinâmico para escorregar com facilidade na areia A. Para ficar protegido do calor do sol e dos inimigos, como pássaros e cobras, o peixe-da-areia permanece enterrado um pouco abaixo da superfície do deserto onde a temperatura é mais amena B. O lagarto-comum C é o único que consegue suportar o frio do círculo polar Ártico – a fêmea da espécie dá à luz a filhotes inteiramente formados. A lagartixa-voadora D tem pintas que a camuflam, confundindo-a com as folhas e galhos.

Os lagartos em geral são criaturas fascinantes. Admirados por uns ou detestados por outros eles têm em comum uma particularidade que os tornam extremamente úteis ao homem: dizimam grande quantidade de insetos, inclusive os nocivos. Esses répteis distribuem-se por quase todo o globo terrestre, especialmente pelas regiões quentes e temperadas. Alguns, como o lagarto-comum (Lacerta vivípara), são exceção, pois conseguem viver no círculo polar Ártico; algo excepcional para animais de sangue frio que dependem do calor do sol para regular a temperatura corporal e procriar.

O lagarto-comum é o único lagarto que consegue suportar o frio da zona ártica. Para conseguir viver naquela região ele procura regular a temperatura do corpo permanecendo imóvel por sobre alguma rocha, absorvendo os fracos raios solares. Contudo, sua maior prova de adaptação é o seu modo de procriação. A fêmea da espécie dá à luz a filhotes que se desenvolvem diretamente em seu organismo, ou seja, nascem vivíparos. Diferindo dos outros lagartos que põem seus ovos para serem incubados pelo calor do sol. Esses répteis agem assim porque a baixíssima temperatura ambiente tornaria impossível a incubação externa. Alimentam-se de minhocas, aranhas e outros pequenos invertebrados.

Outro lagarto que mostra o quanto é adaptado ao extremo é o peixe-da-areia ou cinco-da-areia (Scincus mitranus). Esse pequenino réptil que alcança no máximo 14 centímetros de comprimento se adaptou tanto ao clima árido e escaldante do deserto que seu corpo tornou-se aerodinâmico, longo e liso para escorregar com facilidade na areia. Suas patas além de diminutas têm dedos franjados que ajudam o lagarto a não afundar nas dunas fofas.  Para não torrar sob o sol escaldante, o peixe-da-areia se movimenta, principalmente, nas primeiras horas da manhã e da noite, quando é mais frio, e descansa durante as horas mais quentes. Caça besouros e outros insetos, e se locomove sobre as dunas de areia balançando o corpo de um lado para outro, como um peixe nadando na água (daí seu nome). Nos meses mais frios, a espécie hiberna sob as dunas, consumindo nesse período a gordura que acumulará na cauda.  

Agora se você acha o máximo um lagarto deslizar como um peixe sob as dunas do deserto ou mesmo conseguir gerar filhotes vivíparos em pleno círculo Ártico, saiba que existe um tipo de lagartixa que tem um estranho hábito – o de voar. Isso mesmo! A lagartixa-voadora ou geco-de-kuhl (Ptychozoon kuhli) com seus 10 centímetros de comprimento é uma hábil pára-quedista. Ela na verdade não voa, mas plana. Para conseguir tal proeza, a lagartixa-voadora desenvolveu em todas as patas um tipo de membrana que mantém a direção quando desliza de uma árvore para outra. Para planar, basta ao réptil abrir as patas o máximo possível assim como as abas de pele que têm nas laterais do corpo para então atirar-se ao espaço.

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

 

 

 

 

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1 comentário(s)

  • andre leandro (panameric mailto

    Ter 02 Dez 2008 13:46

    eu andre tenho o prazer de trabalhar ao lado de um biologo pois a cada dia mesmo sem estudo consigo aprender um pouco mais da nossa natureza apezar de as vezes ele se empolgar um pouco e nem me deixar trabalhar acaba sendo legal parabens pelo trabalho


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