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Corujas - Rainhas da Escuridão  escrito em quarta 19 maio 2010 09:43

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Blog de vidaselvagem :Vida Selvagem, Corujas - Rainhas da Escuridão

As corujinhas-do-mato (A) possuem uma pequena envergadura de asas, ótima para realizar manobras aéreas em meio à cerrada vegetação das matas em que vivem. Passam o dia quietas, empoleiradas nos troncos e com seus grandes olhos semicerrados atentos a tudo o que acontece ao seu redor. Se perturbadas por pássaros, eriçam a plumagem e evidenciam os grandes olhos; atitude essa, suficiente para por em fuga qualquer outra ave. A suindara ou coruja-de-igreja (B) é uma espécie muito comum nos centros urbanos; inclusive na capital paulista. Para obter bons resultados em suas atividades de caça, elas desenvolveram uma plumagem especial que protege os sensíveis ouvidos em locais muito barulhentos. É dentre tôdas as corujas a que melhor ouve, graças, a conformação de sua face em formato de antena parabólica que amplifica os sons mais baixos. A posição dos olhos ajuda a coruja a enxergar melhor (C). Não se pode focalizar nitidamente uma coisa se não pudermos vê-la com ambos os olhos ao mesmo tempo. A maior parte das aves tem os olhos nos lados da cabeça e vê apenas uma área minúscula com ambos os olhos. (área marcada em laranja na ilustração) A. Mas as corujas focalizam B uma área maior.

As corujas são aves fascinantes, muito embora figurem no imaginário popular como criaturas agourentas. Adaptadas à vida noturna, elas são capazes de ouvir o leve farfalhar de um roedor em meio à grama mesmo estando a dezenas de metros. Além disso, as corujas conseguem enxergar perfeitamente em total escuridão, graças às células sensíveis a luz – chamadas bastonetes -, que dilatando a pupila, captam a luz dos objetos. Contudo, essas aves-do-bem dependem de um complexo grupo de sentidos para lograrem êxito nas caçadas. Nelas, tudo é altamente desenvolvido a começar pela plumagem extremamente sedosa. A textura das penas faz com que passem despercebidas durante o vôo, já que formam uma espécie de franja que reduz o atrito com o ar, tornando-as ainda mais silenciosas.

Os olhos apesar de focarem com nitidez os objetos (enxergam ao menos seis vezes mais do que os nossos), não são capazes de discernir cores. O que para elas não é nenhuma desvantagem, até por que como diz o dito - “à noite todos os gatos são pardos”.

Entretanto o que realmente faz a diferença no mundo das corujas é a audição. Em certas espécies, o conduto auditivo esquerdo está voltado para baixo e o direito para cima, numa assimetria que favorece a percepção de ruídos, pois há uma pequena diferença nos sons que, desta forma, os ouvidos conseguem captar. Eles são analisados independentemente pelo cérebro, e a ave consegue saber a posição correta de quem os emitiu. Vale lembrar que os ouvidos das corujas nada têm a ver com os tufos de penas que mais se parecem com chifres ou orelhas presentes na cabeça de certas espécies. Eles encontram-se bem escondidos debaixo de finíssimas penas que lembram uma máscara – os chamados discos faciais. Essas penas concentram os sons e os transmitem ao ouvido externo (pequenas aberturas situadas na parte lateral da cabeça).

Apesar da má fama, as corujas devem ser preservadas! ‘Rainhas da escuridão’, elas prestam um enorme auxílio ao homem, pois se alimentam de grande quantidade de roedores a cada noite. Em outras palavras: sem elas as plantações de grãos correriam sério perigo já que por se reproduzirem em larga escala os ratos tendem a dizimar e infectar os alimentos; e conseqüentemente propagar várias doenças. Portanto quando você ouvir a inconfundível cacofonia das corujas - sabe aquele pio horripilante que chega a arrepiar -, como se estivessem rasgando uma toalha, nada de medo! Esqueça lendas e superstições. E, pense que se elas estão rondando determinada área significa que todo aquele ecossistema está saudável e em perfeito equilíbrio.

 

 

 

 

 

 

 José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

            

 

 

 

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