Home Data de criação : 08/07/08 Última atualização : 15/03/22 16:47 / 227 Artigos publicados

Abutres - Seres que vivem da morte? (parte I)  escrito em domingo 22 março 2015 12:47

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O urubu-rei (A) é também chamado de corvo-branco, urubu-branco, urubu-real, urubutinga, urubu-rubixá, urubu-preto-e-branco e iriburubixá. A espécie difere-se das demais não apenas pelo porte, mas também pelos apêndices carnosos que possui junto ao bico. Os urubus são verdadeiros mestres na arte de voar (B). Aproveitando-se das correntes térmicas, esses malandros tem somente o trabalho de abrir as asas e planar ao sabor das correntes, subindo cada vez mais alto. Os urubus-pretos são grandes oportunistas (C). No litoral costumam sobrevoar a faixa de areia à cata de detritos lançados nas praias pelo mar.

Os abutres, grifos e urubus são criaturas extremamente úteis ao meio ambiente, já que por serem os “lixeiros da natureza”, desempenham importante papel por consumirem carcaças de bichos que morreram por causas naturais ou vítimas de acidentes. Contudo, pouca gente sabe que essas aves oportunistas também atacam e matam presas de pequeno e médio porte.

No Brasil uma das espécies mais comuns desses carniceiros é o urubu-preto (Coragyps atratus). Essa espécie é tão popular que se tornou a mascote de um dos maiores times de futebol do país – o Flamengo. Representado no desenho animado O Pica-pau através do personagem trapaceiro Zeca-urubu, essa ave também ficou conhecida no mundo todo.

O urubu-preto tem por hábito sobrevoar a beira das rodovias, pois sabe que nos acostamentos das mesmas é muito comum encontrar animais mortos por atropelamento. Além disso, sabem como ninguém tirar proveito de qualquer chance de alimento fácil que apareça: como alimentar-se da placenta de recém-nascidos de diferentes espécies de mamíferos, por exemplo.

Os urubus também apreciam ovos e ninhadas. Sabe-se que essas aves assaltam ninhos de tartarugas-marinhas surpreendendo-as no momento em que elas realizam a árdua postura. Filhotes de tartarugas-marinhas também lhes apetecem. Em certos casos quando as tartaruguinhas saem dos ovos e deixam a “segurança” do buraco cavaco pela genitora acabam engolidas na faixa de areia pelos urubus durante a frenética tentativa de alcançarem as ondas.

Fora o urubu-preto outras espécies também se distribuem pelo Brasil. São elas: o urubu-caçador ou urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura), o urubu-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus) e o majestoso urubu-rei (Sarcoramphas papa). Esse último devido ao seu porte imponente é sempre respeitado pelas demais espécies de urubus que costumam se afastar da carcaça quando ele se aproxima. Na verdade tal postura das outras espécies se deve não propriamente por medo, mas pelo fato do urubu-rei ter um bico robusto capaz de rasgar o couro e abrir caminho até às vísceras.  Ou seja, é ele o responsável por facilitar que todos consumam determinadas carcaças.

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

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Águias - Hábeis predadoras  escrito em quinta 19 março 2015 20:41

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As águias-cobreiras como o próprio nome diz se alimentam de serpentes. Para caçá-las elas agem com extrema habilidade imobilizando-as na altura da cabeça. 

As diferentes espécies de águias, falcões e gaviões caçam uma infinidade de presas – sendo mamíferos com até 1,5 kg, como coelhos e lebres, e pássaros grandes, como perdizes e faisões, suas presas favoritas. Contudo, certas iguarias do cardápio dessas aves são muito perigosas, dando trabalho pra serem apanhadas. Dentre os bichos mais letais que fazem parte da dieta dos rapinantes estão às serpentes. Sabe-se que muitos dos ofídios predados por eles são víboras peçonhentas.

Quando decide atacar uma cobra, o rapinante age com o máximo de cautela, pois, o predador pode ser vítima da picada do réptil. Nesses casos, o rapinante costuma atacar, imobilizar e golpear mortalmente a serpente na altura da cabeça. Depois a engole.

Além das cobras, as águias também desafiam cervos, raposas, lobos e ursos filhotes (esses últimos animais predados são presas perigosas já que estão sempre em companhia da zelosa genitora). Entretanto nem mesmo a presença de um urso adulto é intimidador o suficiente para desencorajar uma águia-dourada (Aquila chrysaetus) de seu intento; inclusive, já se tem registro desse temeroso confronto em território Norueguês onde a grande águia apareceu do nada e “arrebatou” um filhote de urso que andava com seu irmão e a mãe no alto de uma escarpa coberta de neve. Realmente uma cena impressionante!

Há lendas que associam as águias-douradas ao rapto de crianças. É verdade que elas, quando adultas, têm força para erguer presas de até 5 quilos. Mas, por mais que a façanha seja possível, até hoje nunca foram registrados casos de ataques de águias-douradas contra humanos.

Em épocas de escassez as águias devoram de bom grado répteis, peixes e anfíbios. Também aproveitam a chance de saborear carcaças quando a oportunidade aparece. No entanto o item mais estranho do eclético cardápio de certas espécies de águias são as tartarugas-testudo. Para comê-las, as águias-douradas que vivem no sudeste da Europa e na Ásia Central as apanham e as levam pelos ares para arremessá-las contra rochas até que os cascos se quebrem e elas possam se fartar do conteúdo. 

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

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Rapinantes - Mecanismo de voo  escrito em sexta 06 março 2015 17:45

Blog de vidaselvagem :Vida Selvagem, Rapinantes - Mecanismo de voo

Os rapinantes possuem asas portentosas. Usando-as com incrível destreza, eles alcançam, sem grande esforço, grandes altitudes e são capazes de planar por longo tempo.

 

Os zoólogos dividem as penas da asa de um rapinante em vários grupos. Cada grupo desempenha uma função durante o vôo, como vemos abaixo.

 

(A)

As penas de cobertura tornam a asa mais grossa na frente e o ar flui mais rápido por cima.

 

As penas primárias podem se abrir como os dedos das mãos para reduzir a resistência.

 

As penas secundárias se movem para baixo, aumentando a resistência, ou para cima, reduzindo-a.

 (B)

Quando um rapinante em vôo agita suas asas, o impulso maior é provocado pelas batidas de cima para baixo. Os músculos que impelem as asas para baixo (1) são muito maiores do que os que movimentam as asas para cima (2). Estes músculos têm uma importância fundamental para o vôo da ave e correspondem à metade do seu peso total. 

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

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Águias-do-mar  escrito em segunda 02 março 2015 15:06

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Águia-do-mar-de-barriga-branca em vôo picado no encalço de uma presa (A). Águia-pesqueira-africana perscrutando do alto alguma vítima em potencial (B). Detalhe do pé de uma águia-do-mar (C). Repare nas garras extremamente afiadas (ver seta) que se assemelham a um anzol de pesca e também nas calosidades dos dedos (ver círculos) que impedem com que a vítima escape por mais que ela se debata.

As águias-do-mar também chamadas de águias-pesqueiras são aves espetaculares. São assim denominadas por viverem nas proximidades do mar e ao longo de lagos e rios ricos em peixes e pássaros aquáticos. Predadoras de porte, elas atingem cerca de 90 centímetros de comprimento e, com as asas abertas, a envergadura chega a 2,40 m.

Apesar de classificadas como “pescadoras” essas aves não só se alimentam de peixes, os quais são apanhados junto à superfície da água em voos rasantes e com excepcional precisão. Conforme a espécie de águia-do-mar o cardápio varia bastante: fora os peixes apreciam mergulhões, patos, gansos e até mesmo flamingos. Mamíferos como lebres e filhotes de foca também lhes apetecem. Contudo, em épocas de escassez não desprezam a chance de saborear qualquer carcaça que encontrem; inclusive, em tempos de fome extrema, já foram flagradas disputando carniça com outros animais carniceiros.

Dentre as mais emblemáticas águias-do-mar estão à corpulenta águia-do-mar-de-steller (Haliaeëtus pelagicus), a águia-do-mar-de-barriga-branca (Haliaeëtus leucogaster) capaz de atacar em pleno vôo grandes raposas-voadoras, a águia-do-mar-de-cabeça-branca ou águia-calva (Haliaeëtus leucocephalus) considerada ave símbolo dos Estados Unidos estampando diversos brasões norte-americanos e a astuta águia-pesqueira-africana (Haliaeëtus vocifer) muito popularizada em programas de vida selvagem pelo seu curioso método de caça aos bandos de flamingos daquele continente.

Uma particularidade das águias-do-mar diz respeito a sua adaptação para apanhar firmemente suas escorregadias presas – os peixes. Seus dedos têm calosidades que as auxiliam a transportar suas vítimas sem que elas escapem ao se debaterem. Além disso, os pés dessas aves estão munidos de fortes e compridas garras que quando fisgam assumem o mesmo papel de um anzol de pesca impedindo que a presa se liberte.

As águias-pescadoras reinam absolutas em seu mundo. Fato! Entretanto isso não significa dizer que elas, vez por outra, “não percam a majestade”. As águias-pesqueiras-africanas, por exemplo, quando estão ao encalço de flamingos muitas vezes erram o alvo, já que a presa em vôo pra se esquivar do ataque do rapinante costuma cair de barrigada na água em uma manobra bem evasiva. E do que dizer das águias-do-mar que vira-e-mexe acabam atacadas por outras aves como as audaciosas gaivotas, corvos e certos falcões que as escorraçam para fora de seus territórios. Ou ainda quando certas águias se veem obrigadas a dividir ou na pior das hipóteses a abrir mão de determinada carcaça para outros bichos comedores de carniça, como abutres, corvos, marabus, cães-selvagens e até mesmo pela concorrência com outras águias-pesqueiras. 

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

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Águias - Tipos de Bicos  escrito em quarta 18 fevereiro 2015 16:19

Blog de vidaselvagem :Vida Selvagem, Águias - Tipos de Bicos

O tamanho e a forma do bico dos rapinantes depende das presas que eles se alimentam.

 

A)     Pequenas aves, como o falcão-quiriquiri (Falco sparverius), têm bico curto, adequado para comer insetos, pequenos roedores, pequenos pássaros e lagartixas.

 

B)     O gavião-caramujeiro (Rostrhamus sociabilis) tem um bico longo e curvo para atingir o interior das conchas de caramujos. A espécie se alimenta quase que exclusivamente de grandes caramujos aquáticos conhecidos como aruás. Ocasionalmente também come pequenos caranguejos.

 

C)     De todas as águias, o abutre-das-palmeiras (Gypohierax angolensis) é o que tem hábitos alimentares mais estranhos. Não capturam presas, preferindo comer a polpa do coco, rachando-o com seu bico forte e afiado.

 

D)     A águia-do-mar-de-steller (Haliaetus pelagicus) tem um bico pesado e forte, para arrancar grandes nacos de carne. Essa bela águia se alimenta não só de peixes, mas também de carcaças

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

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