Home Data de criação : 08/07/08 Última atualização : 14/12/26 18:33 / 218 Artigos publicados

Mamíferos Peçonhentos  escrito em sexta 26 dezembro 2014 15:33

Blog de vidaselvagem :Vida Selvagem, Mamíferos Peçonhentos

Quando acuamos ou pegamos um animal selvagem, se ele for um mamífero comum, o que podemos temer é a reação de defesa do bicho que resulta em um arranhão ou mordida. Até aí normal! Certo? Depende, pois, o grupo de animais especialmente selecionado para essa matéria trás um q há mais em sua reação instintiva de defesa...

Ornitorrincos (A), solenodontes (B) e musaranhos (C) para se defender de predadores ou agressores, além de morderem ou arranharem também inoculam veneno em quem os perturba. E a dor causada pela “picada” desses mamíferos esquisitões é tanta que pode inutilizar um homem adulto por dias.  

Ao falarmos em bichos peçonhentos sempre nossos pensamentos nos remetem à animais cuja a reputação não é lá a das melhores, tais como: serpentes, aranhas, escorpiões, entre outros. Contudo, pouca gente sabe que na classe dos mamíferos são encontradas poucas espécies que além de esquesitas por natureza também são venenosas. Isso mesmo! Existem mamíferos que se perturbados “ferroam” pra valer; sendo capazes de inutilizar com uma dor lacinante um homem adultos por dias.

Dentro desse seleto grupo de bichos venenosos está o simpático e curioso ornitorrinco (Ornithorhynchus anatinus). Esse voraz e pequenino marsupial australiano de pouco mais de meio metro de comprimento têm caracteristicas únicas – bico de pato, jeito de castor e que se não bastasse põe ovos ao se reproduzir. Entretanto sua maior esquisitice mesmo está nos esporões que o macho da espécie possui junto aos tornozelos posteriores, capazes de injetar veneno em quem tentar manuseá-lo. Sabe-se que a dor provocada pela picada é violenta, porém incapaz de levar à óbito uma pessoa.

Fora os ornitorrincos outros mamíferos que nos impressionam devido ao estranho hábito de inocular veneno são os tímidos e raros solenodontes e os famigerados e irrequietos musaranhos.

Os solenodontes (família Solenodontidae) se assemelham a grandes ratazanas de focinho comprido com uma cauda escamosa quase desprovida de pêlos. Esses vorazes predadores de hábitos noturnos atacam principalmente insetos, porém não desprezam a oportunidade de degustar uma carniça. O tamanho desse bicho é de pouco mais de meio metro de comprimento (já incluindo à cauda) e seu peso varia de 600 gramas a 1 kg.

O seu nome “solenodonte” tem um significado latim que quer dizer: dente sulcado. Isso porque o segundo incisivo de cada lado da mandíbula inferior tem uma ranhura ligada diretamente a uma glândula de veneno. Tal peçonha é muito ativa em pequenas presas, sendo mortal pra outros solenodontes quando se confrontam. Já em humanos o veneno não é perigoso.

Em todo o globo são encontrados apenas duas espécies de solenodontes – o solenodonte-de-cuba (Solenodon cubanus) que é endêmico da ilha de Fidel e o solenodonte-do-haiti (Solenodon paradoxus) que também vive exclusivamente na ilha de Hispaniola que é a segunda maior ilha do Mar do Caribe.

Os musaranhos (Soricidae) são como ratinhos, pequeninos no tamanho – medem de 2,5 a 10 cm de comprimento -, e grandes no apetite. Assim como as outras espécies descritas eles também têm lá suas esquisitices: alguns desses bichinhos de tão “glutões” que são simplesmente não podem parar de se alimentar, pois se dão uma longa pausa à alimentação correm risco eminente de morrerem. Ou seja, alguns musaranhos praticamente não dormem. Isso acontece porque o metabolismo desses animais chega a ser comparado ao dos beija-flores, batendo o coração a incríveis 1200 vezes por minuto. Devido a essa vida super agitada, os musaranhos têm uma longevidade de no máximo 2 anos.

Daí perguntamos: quando que os musaranhos descansam? A resposta pra essa questão é simples – certas espécies quando querem tirar um momento “relax” praticam o chamado torpor onde entram em depressão metabólica para economizar energia. Para se manterem vivos, os musaranhos são obrigados a se empanturrar de comida a cada 3 horas, consumindo o eqüivalente ao seu peso durante esse curto espaço de tempo (ainda bem que eles pesam apenas 15 gramas!). Proporcionalmente, por unidade de massa corpórea, 1 grama do musaranho consome em um dia a energia que 1 grama do elefante consumiria em um mês.

O musaranho é um voraz devorador de baratas, larvas, caramujos e, principalmente, minhocas. Donos de uma mordida venenosa, eles possem glândulas salivares que contém um veneno tão forte quanto o das serpentes. O efeito da tôxina em pessoas chega a causar queda da pressão sangüínea, diminuição do ritmo cardíaco e inibição respiratória. Além de sensações de queimadura, inchaço e dores agudas.  

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

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Urso-pardo  escrito em quarta 24 dezembro 2014 17:43

Blog de vidaselvagem :Vida Selvagem, Urso-pardo

Os ursos-pardos são exímios pescadores. Durante a migração anual dos salmões, esses glutões situam-se em pontos estratégicos dos rios abocanhando os peixes quando eles saltam para transpor algum obstáculo. Nessa ocasião há também uma hierarquia que deve ser obedecida: os animais maiores ficam nos melhores lugares, mas todos têm direito à sua dieta piscívora. Eles pescam em completo silêncio e consomem todo o peixe, com exceção da cabeça e das guelras. Para alguns zoólogos, este alimento rico em proteínas foi o responsável para que o kodiak se tornasse o maior urso-pardo existente. 

Os ursos-pardos (Ursos arctos) assim como os tigres, os leões, os lobos e os crocodilos estão no topo da cadeia alimentar. Uma subespécie, o urso-pardo-kodiak (Ursos arctos middendorffi) é um gigante – chegando a atingir 4 m em posição ereta e pesar entre 360 e 500 kg. Contudo, alguns poucos exemplares crescem tanto que alcançam tamanhos gigantescos de 4 metros de comprimento e 1 tonelada de peso.

Predadores superpoderosos, os ursos-pardos além de força física pra dominar grandes presas também dispõem de velocidade para alcançá-las, já que consegue correr até mais de 50 km/h por curtos espaços. Entretanto, a maior característica desses “Golias do reino animal” é seu exímio hábito de pesca. Esses bichões sabem bem o que é saborear um belo sashimi e visando manter a forma, no verão, posicionam-se de maneira estratégica nas corredeiras, abocanhando grandes salmões quando estes sobem os rios para desova. Nessa ocasião cada espécime chega a consumir nada mais nada menos do que 16 quilos de peixe de cada vez.

Os ursos-pardos apresentam um detalhe físico muito característico: uma grande corcova de músculos e gordura na altura dos “ombros”. Suas orelhas são pequenas e seu pêlo é muito grosso. As fêmeas são menores que os machos, os quais possuem hábitos solitários: só procuram uma companheira na época do acasalamento.

Outra curiosidade da vida dos ursos-pardos está relacionada à sua pelagem que apresenta uma coloração bastante variada, dependendo da região em que vivem: alguns são bem escuros, enquanto outros têm a pelagem muito clara. Estes, possivelmente, deram origem ao urso-polar. Muitos têm a ponta dos pêlos esbranquiçadas, e são chamados de ursos-cinzentos (grizzly), sendo eles originários da América do Norte.  Pouco menores que os kodiaks, os grizzlys alcançam no máximo 2,5 metros e pesam 450 kg. A subespécie se distribui pelo Canadá e os Estados Unidos

Infelizmente o futuro dos pardos assim como das demais espécies de ursos não é muito promissor. O homem com todo o seu aparato tecnológico vem a cada dia restringindo a área de distribuição dos ursos e ocupando seus antigos territórios com vastas zonas de cultivo, cidades e indústrias obrigando-os a se isolarem cada vez mais a zonas totalmente inóspitas e muitas das vezes desprovidas de presas naturais que lhes garantam a subsistência. No Velho Continente, por exemplo, o urso-pardo-dos-pireneus era antes encontrado em toda a Europa ocidental. Com a intensificação do turismo, ele está progressivamente desaparecendo. Em toda a cadeia alpina restam apenas alguns exemplares na região de Trento, na Itália.

E do que dizer a respeito do aquecimento global o qual ameaça de forma iminente o belo urso-polar, já que reduz de forma significativa seu já nem tão “imenso” campo de gelo. Já no continente sul-americano a destruição dos habitats naturais e a caça ilegal fazem com que os poucos estudados ursos-de-óculos corram sério risco de extinção. São hoje muitos raros na Venezuela e diminuíram também na Colômbia e no Peru; sendo o maior contingente desses animais as florestas equatoriais de altitude da Colômbia e do Peru.

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem


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Urso-polar  escrito em domingo 07 dezembro 2014 17:15

Blog de vidaselvagem :Vida Selvagem, Urso-polar

No verão quando o oceano glacial começa a descongelar, o urso-polar vê sua “infinita” plataforma de caça simplesmente minguar diante de seus olhos. E o pior! Nessa mesma época o senhor quase que absoluto do Ártico pode se transformar de predador em presa já que aprisionado sob os blocos de gelo tornam-se vulneráveis aos ataques de outro grande carnívoro da região – as temíveis orcas. Na imagem os dois ursos-polares podem ser facilmente arremessados de sobre o pequeno iceberg e na água tornam-se presas fáceis as inteligentes e vorazes baleias assassinas.

No reino animal o bicho que ostenta o título de “o maior carnívoro terrestre” é o belo, simpático e às vezes temperamental urso-branco ou polar (Ursus maritimus). Esse gigante da família Ursidae pode atingir um tamanho descomunal. Pra se ter uma ideia, em 1960, foi abatido por um caçador um exemplar que media 3,5 metros de altura e pesava cerca de 1 tonelada. Contudo, nos dias atuais é raro se encontrar espécimes que atinjam essa dimensão! Atualmente esses carnívoros chegam no máximo a 3 metros de altura e pesam até 680 quilos.

Os ursos-polares se alimentam principalmente de focas-aneladas, mas também não desprezam baleias-beluga (que ficam presas em seus respiradouros quando o oceano congela), peixes, morsas, pássaros marinhos, narvais, renas e até mesmo carcaças. Para abater suas presas favoritas o urso-polar usa uma técnica muito eficaz: primeiro o predador por cima do gelo rastreia o trajeto da presa embaixo d’água. Aí na sequência o urso encontra o local onde a foca respira. Depois pelo faro, ele vai seguindo os buracos e de tocaia permanece à espera de uma foca que venha a superfície para tomar fôlego. Por fim o urso dá o bote, abocanha a vítima pela cabeça e a puxa para fora. Pronto! Basta agora saborear tranquilamente a caça.

Predador de emboscada, o urso-branco utiliza um truque para se aproximar da presa sem ser notado. Valendo-se da pelagem clara que o mimetiza ao ambiente, o caçador trata apenas de ocultar sua boca e seu nariz com sua pata, que são escuros. 

Os ursos-polares habitam a calota polar Ártica e as costas setentrionais da América, da Europa e da Ásia, regiões totalmente congeladas durante o inverno. No verão ártico, os ursos-polares não podem gastar muita energia, mas não chegam a hibernar. O mais próximo que um urso-polar chega da hibernação é quando a fêmea grávida entra num estado chamado letargia carnívora – com significativa redução dos batimentos cardíacos e sutil baixa na temperatura corporal. As ursas não entram em estado de hibernação profunda porque têm de se manter aquecidas para dar à luz e amamentar.

O tão amado gelo dos ursos-polares pode deixar de existir. O aumento da temperatura global já faz com que o gelo demore cada vez mais para se formar e derreta com rapidez. Só isso já causa efeitos negativos sobre as populações desses animais, que têm sua época de caça e seu território reduzidos. Mas a situação pode piorar. Estima-se que, no fim deste século, o gelo do Ártico poderá derreter totalmente a cada verão. Entre as consequências disso, está a provável extinção dos ursos-polares.

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

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Urso-de-óculos  escrito em domingo 28 setembro 2014 21:05

Blog de vidaselvagem :Vida Selvagem, Urso-de-óculos

O urso-de-óculos ou urso-andino é a única espécie de Ursídeo presente na América-do-Sul. Seu nome se deve ao padrão de manchas que circundam seus olhos; daí ser também conhecido por urso-de-lunetas

O urso-de-óculos (Tremarctos ornatos) também chamado de urso-andino ou urso-de-lunetas é um belíssimo animal de pelagem negra com uma faixa de pêlos de cor creme que se estende através do focinho, pescoço e peito. A espécie recebe esse curioso nome por causa das manchas que aparecem sob a forma de linhas finas em torno dos olhos; lembrando, que o padrão dos desenhos muda de indivíduo para indivíduo, sendo um meio eficiente para os cientistas identificá-los na natureza.

O urso-de-óculos é o único representante da família dos Ursídeos que vive na América-do-Sul. Depois da anta é o segundo maior animal encontrado no continente sul-americano. Distribui-se pelas matas tropicais dos Andes desde a Venezuela até a Bolívia e extremo norte da Argentina. É um animal hoje em dia raro, de hábitos noturnos e crepusculares que dificilmente causa algum acidente envolvendo o homem (diferentemente de seus parentes difundidos por outras partes do globo). Sabe-se que os poucos casos de ataques registrados a humanos envolvendo a espécie ocorreram com fêmeas acompanhadas de suas proles.

Os maiores exemplares de urso-andino podem chegar a medir de 1,20 m a 2 metros de comprimento e a pesar de 100175 kg. A altura no ombro pode variar de 70 a 90 centímetros. Isso os machos, já as fêmeas costumam ser ligeiramente menores.

A espécie tem uma dieta quase que exclusivamente vegetariana consumindo bromélias, brotos-de-bambu, cactos, miolo de palmeira, folhas, frutos, milho, raízes e tubérculos. Esse bicho também complementa o cardápio com insetos e pequenos roedores; ocasionalmente, come carniça.

A gestação desse urso dura de 6 a 7 meses, nascendo de 1 a 3 filhotes (normalmente dois). Os pequenos são extremamente curiosos e brincalhões, acompanhando a genitora durante suas andanças por qualquer lugar que ela vá – incluindo grandes árvores nas quais sobem e se deslocam com grande habilidade.  Zelosa, a fêmea, cuida das crias por até 1 ano. Durante esse tempo, a genitora os protege ferozmente contra quaisquer ameaças atacando onças-pintadas, onças-pardas e até mesmo ursos machos da espécie caso eles se aproximem em demasiado dos pequenos.

O urso-de-óculos é uma espécie considerada vulnerável de extinção. A destruição de seu habitat e a caça predatória está entre as principais causas do desaparecimento desse belo animal. 

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem


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Urso-malaio  escrito em domingo 07 setembro 2014 09:24

Blog de vidaselvagem :Vida Selvagem, Urso-malaio

O urso-malaio é um voraz devorador de mel. Quando encontra na mata uma colméia ele a destrói por inteiro em busca dos cobiçados favos, nem ao menos se importando com a ferroada das zangadas abelhas. Suas longas e afiadas garras (ver no detalhe) são as responsáveis por destruir tanto os ninhos de abelhas quanto os duros cupinzeiros. A grande língua desse bicho o auxilia na tarefa de lamber os favos e sugar as abelhas e os cupins de que se alimenta (A). Essa espécie de ursídeo é a menor que existe. Sua situação devido à destruição de seu habitat natural e a caça predatória infelizmente não é nada boa; sendo, considerado um bicho em vias de extinção (B)

O urso-malaio (Helarctos malayanus) também chamado de urso-mel ou urso-dos-coqueiros é a menor de todas as espécies de ursídeos. Quando adultos esses ursos de pelagem curta e negra chegam a medir até 1,40 m de comprimento e a pesar, em torno, de 65 kg.

Os filhotes de ursos-malaios são graciosos e brincalhões; por isso, muitas vezes são criados como animal de estimação. Mas, à medida que crescem, tornam-se daninhos e incontroláveis, sendo então mandados para o zoológico. Diferentemente de outros ursos que matam dezenas de pessoas todos os anos, a espécie em questão não é tão perigosa. Contudo, recomenda-se certa prudência!

Um dos alimentos prediletos dos ursos é o mel. Mas em relação a essa preferência nenhum deles ganha do urso-malaio. Quando ele apanha uma colméia com suas longas garras, não se incomoda nem mesmo com as picadas das abelhas e as devora também. Daí ser ele conhecido por urso-mel. Excelente escalador, esse urso não hesita explorar árvores altíssimas em busca de cupins deslocando-se por sobre os galhos com muita agilidade, graças, às solas sem pêlos de seus pés e as suas grandes garras curvas. A espécie também come frutas, insetos, pequenos mamíferos e répteis

O urso-dos-coqueiros é avistado nas selvas do Sudeste Asiático, Sumatra e Bornéu. Assim como tantas outras espécies animais, os ursos-malaios estão criticamente ameaçados por causa da intensa destruição de seu habitat. A tradicional medicina chinesa é também a responsável pela diminuição da espécie, já que as garras e a vesícula biliar desse animal é largamente empregada por ter certos “poderes” de cura de diferentes enfermidades.

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

 

 

 

 

 

 

 


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