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Especial - Ataque de gavião-real  escrito em sábado 03 janeiro 2015 21:41

Observe a impressionante investida de uma harpia contra um pobre bicho-preguiça.

As águias são estrategistas e ao mesmo tempo predadoras oportunistas.  Sabe-se que certas espécies para abater grandes presas são capazes de artifícios inimagináveis. Os gaviões-reais (Harpia harpyja) sul-americanos, por exemplo, perscrutam do alto o dóssel florestal à procura de qualquer bicho incauto. Suas vítimas mais frequentes são primatas, mas não desperdiçam qualquer chance que apareça. Dentre suas presas habituais estão macacos-bugios, preguiças, caiararas, quatis, grandes-serpentes e até mesmo gatos-do-mato.

Quem pensa que a preguiça é uma simples presa, engana-se. Apesar do jeito lerdo, ela é munida de grandes garras que servem para firmá-la aos galhos e também a auxilia a se defender. Além disso, sua pelagem ajuda-a a se mimetizar de forma quase que perfeita ao habitat. Contudo, a harpia com sua “visão de águia” é capaz de identificá-la em meio à copa das árvores no momento em que se move. Aí basta a rapinante cair sobre ela como uma flecha, agarrá-la com as fortes garras e levá-la pelos ares.

Pronto! O almoço está garantido pra grande águia.







José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

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Introdução - Águias / Predadoras Altivas  escrito em domingo 28 dezembro 2014 12:43

Blog de vidaselvagem :Vida Selvagem, Introdução - Águias / Predadoras Altivas

A harpia, gavião-real ou uiraçu-verdadeiro é a mais pesada águia que existe e também das maiores. A espécie chega a pesar até 10 kg e a ter 2,5 m de envergadura. Em matéria de força não tem pra ninguém... É, sem dúvida, a mais robusta das grandes águias com pernas curtas e grossas que se assemelham a punhos humanos e dedos extremamente fortes munidos de garras afiadas de 6 centímetros. “Alterofilista” do mundo das aves é capaz de içar animais do porte de um carneiro. Espécime fotografado empoleirado em recinto do Zoológico de São Paulo – SP.

Os rapinantes (grupo nos quais águias, falcões e gaviões se reúnem) são seres extraordinários; capazes de feitos inimagináveis. Essas belas aves têm por característica principal o olhar penetrante – se uma harpia, por exemplo, olhar pra você, certamente você terá uma sensação de arrepio. Sentir-se-á como uma presa, tal é a intensidade da “encarada”.

As águias são predadoras de emboscada muito eficazes no ato de atacar e matar; ou seja, quando uma delas resolve partir para o ataque esteja certo que muito dificilmente ela retornará de “mãos abanando”.

Essas predadoras de elite do reino animal colonizaram os mais diversificados habitats do planeta. Algumas vivem em áreas de penhascos, já outras preferem gélidas zonas de tundra. Havendo ainda aquelas que habitam as zonas de matas tropicais. Porém, independentemente do local em que vivam uma coisa é certa: essas aves atacam bichos que até deus dúvida que sejam capazes de dominá-los.

Dentre essas exímias caçadoras, podemos dar destaque para algumas delas...

Nas regiões montanhosas da Ásia já se observou águias-douradas predando antílopes, raposas e até mesmo lobos; porém o que mais impressionou a cientistas que faziam parte de uma expedição foi o fato de terem visto uma dessas águias atacando um filhote crescido de urso-pardo quando esse acompanhado de seu irmão e sua genitora escalava uma íngreme escarpa. A águia simplesmente atacou, apanhou o filhote e o levou pelos ares, sem dar nenhuma chance de proteção à pobre ursa. Temeridade essa, não?!

Também é impressionante como diferentes espécies de águias-do-mar ou águias-pesqueiras utilizam da habilidade para apanhar suas escorregadias presas. Pousadas em um estratégico poleiro de observação, as águias-pescadoras espreitam o imenso lago atentas ao menor sinal da presença de algum peixe próximo à superfície. Sua excelente visão as permite detectar uma presa a dezenas de metros de distância e uma vez localizada, a predadora alada para lá converge de forma rápida e silenciosa, fisgando firmemente o peixe com suas garras que se assemelham a punhais. Por fim, se dirigem a alguma árvore próxima da margem para lá dar cabo da vítima que por mais que se debata não consegue se escapar (isso porque fora as unhas, a águia também tem pés com calosidades que impedem que a presa se solte).

Na imensidão da Floresta Amazônica, sob a copa das gigantescas árvores o gavião-real reina absoluto! No dossel da mata as harpias especializaram-se na captura de macacos de porte, como bugios e caiararas. As águias investem contra o bando, surpreendendo-o no momento em que se deslocam ou quando repousam. Com suas garras enormes – com cerca de 6 cm de comprimento -, elas cravam essa adaga no couro do bugio e o carregam. Depois com seu potente bico ela pica a vítima em pequenos pedaços para facilitar a ingestão. Contudo, não é apenas de macacos que o gavião-real se alimenta. Oportunista, não deixa passar nada: ataca e mata bichos-preguiça, serpentes, quatis e até pequenos felinos

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

 


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Mamíferos Peçonhentos  escrito em sexta 26 dezembro 2014 15:33

Blog de vidaselvagem :Vida Selvagem, Mamíferos Peçonhentos

Quando acuamos ou pegamos um animal selvagem, se ele for um mamífero comum, o que podemos temer é a reação de defesa do bicho que resulta em um arranhão ou mordida. Até aí normal! Certo? Depende, pois, o grupo de animais especialmente selecionado para essa matéria trás um q há mais em sua reação instintiva de defesa...

Ornitorrincos (A), solenodontes (B) e musaranhos (C) para se defender de predadores ou agressores, além de morderem ou arranharem também inoculam veneno em quem os perturba. E a dor causada pela “picada” desses mamíferos esquisitões é tanta que pode inutilizar um homem adulto por dias.  

Ao falarmos em bichos peçonhentos sempre nossos pensamentos nos remetem à animais cuja a reputação não é lá a das melhores, tais como: serpentes, aranhas, escorpiões, entre outros. Contudo, pouca gente sabe que na classe dos mamíferos são encontradas poucas espécies que além de esquesitas por natureza também são venenosas. Isso mesmo! Existem mamíferos que se perturbados “ferroam” pra valer; sendo capazes de inutilizar com uma dor lacinante um homem adultos por dias.

Dentro desse seleto grupo de bichos venenosos está o simpático e curioso ornitorrinco (Ornithorhynchus anatinus). Esse voraz e pequenino marsupial australiano de pouco mais de meio metro de comprimento têm caracteristicas únicas – bico de pato, jeito de castor e que se não bastasse põe ovos ao se reproduzir. Entretanto sua maior esquisitice mesmo está nos esporões que o macho da espécie possui junto aos tornozelos posteriores, capazes de injetar veneno em quem tentar manuseá-lo. Sabe-se que a dor provocada pela picada é violenta, porém incapaz de levar à óbito uma pessoa.

Fora os ornitorrincos outros mamíferos que nos impressionam devido ao estranho hábito de inocular veneno são os tímidos e raros solenodontes e os famigerados e irrequietos musaranhos.

Os solenodontes (família Solenodontidae) se assemelham a grandes ratazanas de focinho comprido com uma cauda escamosa quase desprovida de pêlos. Esses vorazes predadores de hábitos noturnos atacam principalmente insetos, porém não desprezam a oportunidade de degustar uma carniça. O tamanho desse bicho é de pouco mais de meio metro de comprimento (já incluindo à cauda) e seu peso varia de 600 gramas a 1 kg.

O seu nome “solenodonte” tem um significado latim que quer dizer: dente sulcado. Isso porque o segundo incisivo de cada lado da mandíbula inferior tem uma ranhura ligada diretamente a uma glândula de veneno. Tal peçonha é muito ativa em pequenas presas, sendo mortal pra outros solenodontes quando se confrontam. Já em humanos o veneno não é perigoso.

Em todo o globo são encontrados apenas duas espécies de solenodontes – o solenodonte-de-cuba (Solenodon cubanus) que é endêmico da ilha de Fidel e o solenodonte-do-haiti (Solenodon paradoxus) que também vive exclusivamente na ilha de Hispaniola que é a segunda maior ilha do Mar do Caribe.

Os musaranhos (Soricidae) são como ratinhos, pequeninos no tamanho – medem de 2,5 a 10 cm de comprimento -, e grandes no apetite. Assim como as outras espécies descritas eles também têm lá suas esquisitices: alguns desses bichinhos de tão “glutões” que são simplesmente não podem parar de se alimentar, pois se dão uma longa pausa à alimentação correm risco eminente de morrerem. Ou seja, alguns musaranhos praticamente não dormem. Isso acontece porque o metabolismo desses animais chega a ser comparado ao dos beija-flores, batendo o coração a incríveis 1200 vezes por minuto. Devido a essa vida super agitada, os musaranhos têm uma longevidade de no máximo 2 anos.

Daí perguntamos: quando que os musaranhos descansam? A resposta pra essa questão é simples – certas espécies quando querem tirar um momento “relax” praticam o chamado torpor onde entram em depressão metabólica para economizar energia. Para se manterem vivos, os musaranhos são obrigados a se empanturrar de comida a cada 3 horas, consumindo o eqüivalente ao seu peso durante esse curto espaço de tempo (ainda bem que eles pesam apenas 15 gramas!). Proporcionalmente, por unidade de massa corpórea, 1 grama do musaranho consome em um dia a energia que 1 grama do elefante consumiria em um mês.

O musaranho é um voraz devorador de baratas, larvas, caramujos e, principalmente, minhocas. Donos de uma mordida venenosa, eles possem glândulas salivares que contém um veneno tão forte quanto o das serpentes. O efeito da tôxina em pessoas chega a causar queda da pressão sangüínea, diminuição do ritmo cardíaco e inibição respiratória. Além de sensações de queimadura, inchaço e dores agudas.  

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

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Urso-pardo  escrito em quarta 24 dezembro 2014 17:43

Blog de vidaselvagem :Vida Selvagem, Urso-pardo

Os ursos-pardos são exímios pescadores. Durante a migração anual dos salmões, esses glutões situam-se em pontos estratégicos dos rios abocanhando os peixes quando eles saltam para transpor algum obstáculo. Nessa ocasião há também uma hierarquia que deve ser obedecida: os animais maiores ficam nos melhores lugares, mas todos têm direito à sua dieta piscívora. Eles pescam em completo silêncio e consomem todo o peixe, com exceção da cabeça e das guelras. Para alguns zoólogos, este alimento rico em proteínas foi o responsável para que o kodiak se tornasse o maior urso-pardo existente. 

Os ursos-pardos (Ursos arctos) assim como os tigres, os leões, os lobos e os crocodilos estão no topo da cadeia alimentar. Uma subespécie, o urso-pardo-kodiak (Ursos arctos middendorffi) é um gigante – chegando a atingir 4 m em posição ereta e pesar entre 360 e 500 kg. Contudo, alguns poucos exemplares crescem tanto que alcançam tamanhos gigantescos de 4 metros de comprimento e 1 tonelada de peso.

Predadores superpoderosos, os ursos-pardos além de força física pra dominar grandes presas também dispõem de velocidade para alcançá-las, já que consegue correr até mais de 50 km/h por curtos espaços. Entretanto, a maior característica desses “Golias do reino animal” é seu exímio hábito de pesca. Esses bichões sabem bem o que é saborear um belo sashimi e visando manter a forma, no verão, posicionam-se de maneira estratégica nas corredeiras, abocanhando grandes salmões quando estes sobem os rios para desova. Nessa ocasião cada espécime chega a consumir nada mais nada menos do que 16 quilos de peixe de cada vez.

Os ursos-pardos apresentam um detalhe físico muito característico: uma grande corcova de músculos e gordura na altura dos “ombros”. Suas orelhas são pequenas e seu pêlo é muito grosso. As fêmeas são menores que os machos, os quais possuem hábitos solitários: só procuram uma companheira na época do acasalamento.

Outra curiosidade da vida dos ursos-pardos está relacionada à sua pelagem que apresenta uma coloração bastante variada, dependendo da região em que vivem: alguns são bem escuros, enquanto outros têm a pelagem muito clara. Estes, possivelmente, deram origem ao urso-polar. Muitos têm a ponta dos pêlos esbranquiçadas, e são chamados de ursos-cinzentos (grizzly), sendo eles originários da América do Norte.  Pouco menores que os kodiaks, os grizzlys alcançam no máximo 2,5 metros e pesam 450 kg. A subespécie se distribui pelo Canadá e os Estados Unidos

Infelizmente o futuro dos pardos assim como das demais espécies de ursos não é muito promissor. O homem com todo o seu aparato tecnológico vem a cada dia restringindo a área de distribuição dos ursos e ocupando seus antigos territórios com vastas zonas de cultivo, cidades e indústrias obrigando-os a se isolarem cada vez mais a zonas totalmente inóspitas e muitas das vezes desprovidas de presas naturais que lhes garantam a subsistência. No Velho Continente, por exemplo, o urso-pardo-dos-pireneus era antes encontrado em toda a Europa ocidental. Com a intensificação do turismo, ele está progressivamente desaparecendo. Em toda a cadeia alpina restam apenas alguns exemplares na região de Trento, na Itália.

E do que dizer a respeito do aquecimento global o qual ameaça de forma iminente o belo urso-polar, já que reduz de forma significativa seu já nem tão “imenso” campo de gelo. Já no continente sul-americano a destruição dos habitats naturais e a caça ilegal fazem com que os poucos estudados ursos-de-óculos corram sério risco de extinção. São hoje muitos raros na Venezuela e diminuíram também na Colômbia e no Peru; sendo o maior contingente desses animais as florestas equatoriais de altitude da Colômbia e do Peru.

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem


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Urso-polar  escrito em domingo 07 dezembro 2014 17:15

Blog de vidaselvagem :Vida Selvagem, Urso-polar

No verão quando o oceano glacial começa a descongelar, o urso-polar vê sua “infinita” plataforma de caça simplesmente minguar diante de seus olhos. E o pior! Nessa mesma época o senhor quase que absoluto do Ártico pode se transformar de predador em presa já que aprisionado sob os blocos de gelo tornam-se vulneráveis aos ataques de outro grande carnívoro da região – as temíveis orcas. Na imagem os dois ursos-polares podem ser facilmente arremessados de sobre o pequeno iceberg e na água tornam-se presas fáceis as inteligentes e vorazes baleias assassinas.

No reino animal o bicho que ostenta o título de “o maior carnívoro terrestre” é o belo, simpático e às vezes temperamental urso-branco ou polar (Ursus maritimus). Esse gigante da família Ursidae pode atingir um tamanho descomunal. Pra se ter uma ideia, em 1960, foi abatido por um caçador um exemplar que media 3,5 metros de altura e pesava cerca de 1 tonelada. Contudo, nos dias atuais é raro se encontrar espécimes que atinjam essa dimensão! Atualmente esses carnívoros chegam no máximo a 3 metros de altura e pesam até 680 quilos.

Os ursos-polares se alimentam principalmente de focas-aneladas, mas também não desprezam baleias-beluga (que ficam presas em seus respiradouros quando o oceano congela), peixes, morsas, pássaros marinhos, narvais, renas e até mesmo carcaças. Para abater suas presas favoritas o urso-polar usa uma técnica muito eficaz: primeiro o predador por cima do gelo rastreia o trajeto da presa embaixo d’água. Aí na sequência o urso encontra o local onde a foca respira. Depois pelo faro, ele vai seguindo os buracos e de tocaia permanece à espera de uma foca que venha a superfície para tomar fôlego. Por fim o urso dá o bote, abocanha a vítima pela cabeça e a puxa para fora. Pronto! Basta agora saborear tranquilamente a caça.

Predador de emboscada, o urso-branco utiliza um truque para se aproximar da presa sem ser notado. Valendo-se da pelagem clara que o mimetiza ao ambiente, o caçador trata apenas de ocultar sua boca e seu nariz com sua pata, que são escuros. 

Os ursos-polares habitam a calota polar Ártica e as costas setentrionais da América, da Europa e da Ásia, regiões totalmente congeladas durante o inverno. No verão ártico, os ursos-polares não podem gastar muita energia, mas não chegam a hibernar. O mais próximo que um urso-polar chega da hibernação é quando a fêmea grávida entra num estado chamado letargia carnívora – com significativa redução dos batimentos cardíacos e sutil baixa na temperatura corporal. As ursas não entram em estado de hibernação profunda porque têm de se manter aquecidas para dar à luz e amamentar.

O tão amado gelo dos ursos-polares pode deixar de existir. O aumento da temperatura global já faz com que o gelo demore cada vez mais para se formar e derreta com rapidez. Só isso já causa efeitos negativos sobre as populações desses animais, que têm sua época de caça e seu território reduzidos. Mas a situação pode piorar. Estima-se que, no fim deste século, o gelo do Ártico poderá derreter totalmente a cada verão. Entre as consequências disso, está a provável extinção dos ursos-polares.

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

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