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Rapinantes - Especial / "Tipos" de vôos  escrito em terça 21 abril 2015 14:06

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São bem curiosos os “tipos” de vôos que podemos observar entre os rapinantes:

 

A)      O vôo-batido é muito comumente praticado quando a ave precisa ganhar força para alçar vôo. Os urubus quando se lançam no ar partindo de alguma árvore ou poste têm o hábito de bater as asas de forma frenética até ganharem sustentação. Na imagem um urubu-rei (Sarcoramphas papa).

B)       Já no vôo-planado as aves de rapina têm apenas o trabalho de abrir as asas e subir cada vez mais alto no céu ao sabor das correntes térmicas. Tudo isso sem um mínimo de esforço. Na imagem um carcará (Caracara plancus).

C)      O vôo-picado é um tipo clássico comumente praticado por falcões. O falcão-peregrino, por exemplo, é o mestre da modalidade. A espécie chega a incrível marca dos 300 km/h e só de colidir com a presa já a mata. Na imagem um falcão-peregrino (Falco peregrinus).

D)     O vôo-pairado é normalmente feito quando o rapinante foca uma presa a pouca altura do solo. Em geral, esse vôo é usado no instante em que o falcão visualiza algum pequeno roedor em meio à relva. Aí basta ao predador mergulhar em direção ao solo e apanhar a infeliz presa. Na imagem um falcão-quiriquiri (Falco sparverius).


As aves de rapina são fantásticas voadoras. Além de alcançar grandes altitudes, algumas delas arriscam mergulhos a mais de 120 km/h. Qualquer ave tem duas maneiras de voar: batendo as asas ou planando. As aves de rapina possuem músculos de vôo muito fortes que lhes permitem voar carregando presas. Uma águia, por exemplo, é capaz de voar carregando uma presa tão pesada quanto ela própria.

Os principais músculos do vôo estão ligados ao grande osso peitoral. São eles que realizam a maior parte do trabalho para a ave levantar vôo, fazer manobras, pairar ou pousar. Todas as aves possuem ossos ocos, o que as tornam mais leves. Mesmo assim, o esqueleto das aves de rapina é bastante forte. 

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

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Abutres - Seres que vivem da morte? (parte II)  escrito em domingo 12 abril 2015 13:56

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O condor-andino é uma das maiores aves de rapina existente (A). Nos Andes quando a fome aperta e as carcaças se tornam raras, esse “malandro” resolve o problema precipitando animais desfiladeiro abaixo. O abutre-egípcio é uma ave muito inteligente (B). A espécie adora comer ovos de avestruz e para romper a resistente casca ele utiliza pedras como ferramenta. O abutre-barbudo é dentre os abutres um dos mais agressivos (C). Ele curiosamente consome o que todos os carniceiros desprezam da carcaça – os ossos.

O condor-andino (Vultur gryphus) é a maior ave carniceira da família com uma envergadura de cerca de 3 metros. Em épocas de escassez em que até os necrófagos têm dificuldade em encontrar carcaças, os condores resolvem o problema trapaceando. Isso mesmo! Essas aves atacam guanacos fazendo-os precipitar desfiladeiro abaixo. Daí basta a elas saborear a “carcaça arranjada”.

Outro integrante desse grupo de aves que literalmente se vira pra não passar fome é o abutre-egípcio (Neophron percnopterus). De porte pequeno se comparado a outros representantes da família, o abutre-egípcio tem certa predileção por ovos – especialmente os de avestruz. Entretanto, quando encontra um ninho desprotegido ele tem de improvisar para saborear o conteúdo dos ovos gigantes, já que seu bico frágil não tem a força necessária para romper a dura casca. Inteligente o abutre-egípcio apela então para o uso de ferramentas pegando pedras e atirando-as contra o ovo. Agindo dessa maneira, depois de sucessivas tentativas ele logra êxito e se empanturra após tanta comilança.

E do que dizer do abutre-barbudo ou quebra-ossos (Gypaetus barbatus)? Distribuindo-se pela região montanhosa da Europa esses incríveis abutres consomem da carcaça o que os outros necrófagos desprezam - o esqueleto. Acredite! Eles aguardam que os outros bichos carniceiros limpem o cadáver para então realizarem sua função que é a de dar cabo dos ossos; incluindo os maiores (daí seu curioso nome vulgar de quebra-ossos).

O abutre-real ao se alimentar ingere numa boa os pequenos ossos, já quanto às peças ósseas grandes esse “malandro” dá um jeito de comê-las. A técnica aperfeiçoada pelo abutre para consumir um fêmur, por exemplo, é simples: o pássaro alça vôo segurando firmemente o osso com as pernas. Na sequência dirige-se até algum rochedo no qual arremessa lá do alto o osso que se despedaça por inteiro ao colidir contra a rocha. Por fim cabe ao abutre saborear os ossos esmigalhados sem maiores dificuldades.

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

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Especial - Turbinas detestam urubus  escrito em domingo 05 abril 2015 16:32

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Os incidentes envolvendo pássaros e aviões sempre ocorreram. Entretanto, nos últimos anos o que tem-se observado é um aumento no número de ocorrências dessa natureza por causa da próximidade de aterros sanitários e aeroportos. O fato é que a ingestão de um grande pássaro pela turbina de um jato comercial pode provocar uma tragédia, pois pode desestabilizar a aeronave e derrubá-la. 

Os urubus são mestres na arte do vôo. Essas aves se valendo das correntes térmicas abrem as asas e sobem em espiral cada vez mais alto nos céus, e detalhe, sem um mínimo de esforço. Ao sobrevoarem alguma carcaça, por vezes, os urubus se concentram em bandos de dezenas de pássaros os quais podem representar sério risco à aviação ainda mais quando próximos de aeroportos.

No Brasil segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), todos os anos são registrados muitos incidentes envolvendo o choque de pássaros e aviões. Segundo mapeamento realizado, mais de 40 aeroportos brasileiros localizam-se próximos à lixões e por isso são considerados problemáticos por causa do crescente registro de acidentes envolvendo pássaros tanto na aviação civil quanto na militar. Para se ter uma idédia até leis já foram sancionadas visando manter as aves distantes em um raio de 20 km dos aeroportos. Dentre os principais espécies causadoras desses prejuízos aeronáuticos no país estão os abutres e os carcarás, porém não são raros os casos envolvendo gaivotas, fragatas, quero-queros, entre outros...

Uma “ingestão” acidental de um pássaro pela turbina de um grande jato pode ser algo terrível, capaz até mesmo de derrubá-lo. Uma única palheta da turbina de um grande avião custa o mesmo que um carro popular, ou seja, qualquer incidente deste tipo é algo que causa enormes prejuízos materiais as empresas aéreas.

Além dos casos em que as aves acabam sugadas para dentro das turbinas, existem também as ocorrências em que elas colidem diretamente contra a fuselagem do avião ficando cravadas na superfície do aparelho. Também já foram relatados acidentes em que gansos destruiram o bico do avião ou que acabaram estatelados no pára-brisa dos mesmos. Sem contar as ocorrências em que pássaros quebraram o vidro da cabine de aeronaves de pequeno porte e chegaram a atingir o pobre do piloto.

Contudo, as mesmas aves que põe em risco o tráfego aéreo são também as responsáveis por assegurar a tranqüilidade das operações de certos aeroportos. Isso mesmo, acredite! Em algumas regiões onde sabe-se haver com freqüência casos de investidas de bandos de pássaros a aviões o que tem-se feito é a prática da falcoaria. Nesses locais os falcões são treinados para manter afastadas quaisquer outras espécies de pássaros que possam representar algum risco as operações de pouso ou decolagem atacando e abatendo aves intrusas. 

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

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Abutres - Seres que vivem da morte? (parte I)  escrito em domingo 22 março 2015 12:47

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O urubu-rei (A) é também chamado de corvo-branco, urubu-branco, urubu-real, urubutinga, urubu-rubixá, urubu-preto-e-branco e iriburubixá. A espécie difere-se das demais não apenas pelo porte, mas também pelos apêndices carnosos que possui junto ao bico. Os urubus são verdadeiros mestres na arte de voar (B). Aproveitando-se das correntes térmicas, esses malandros tem somente o trabalho de abrir as asas e planar ao sabor das correntes, subindo cada vez mais alto. Os urubus-pretos são grandes oportunistas (C). No litoral costumam sobrevoar a faixa de areia à cata de detritos lançados nas praias pelo mar.

Os abutres, grifos e urubus são criaturas extremamente úteis ao meio ambiente, já que por serem os “lixeiros da natureza”, desempenham importante papel por consumirem carcaças de bichos que morreram por causas naturais ou vítimas de acidentes. Contudo, pouca gente sabe que essas aves oportunistas também atacam e matam presas de pequeno e médio porte.

No Brasil uma das espécies mais comuns desses carniceiros é o urubu-preto (Coragyps atratus). Essa espécie é tão popular que se tornou a mascote de um dos maiores times de futebol do país – o Flamengo. Representado no desenho animado O Pica-pau através do personagem trapaceiro Zeca-urubu, essa ave também ficou conhecida no mundo todo.

O urubu-preto tem por hábito sobrevoar a beira das rodovias, pois sabe que nos acostamentos das mesmas é muito comum encontrar animais mortos por atropelamento. Além disso, sabem como ninguém tirar proveito de qualquer chance de alimento fácil que apareça: como alimentar-se da placenta de recém-nascidos de diferentes espécies de mamíferos, por exemplo.

Os urubus também apreciam ovos e ninhadas. Sabe-se que essas aves assaltam ninhos de tartarugas-marinhas surpreendendo-as no momento em que elas realizam a árdua postura. Filhotes de tartarugas-marinhas também lhes apetecem. Em certos casos quando as tartaruguinhas saem dos ovos e deixam a “segurança” do buraco cavaco pela genitora acabam engolidas na faixa de areia pelos urubus durante a frenética tentativa de alcançarem as ondas.

Fora o urubu-preto outras espécies também se distribuem pelo Brasil. São elas: o urubu-caçador ou urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura), o urubu-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus) e o majestoso urubu-rei (Sarcoramphas papa). Esse último devido ao seu porte imponente é sempre respeitado pelas demais espécies de urubus que costumam se afastar da carcaça quando ele se aproxima. Na verdade tal postura das outras espécies se deve não propriamente por medo, mas pelo fato do urubu-rei ter um bico robusto capaz de rasgar o couro e abrir caminho até às vísceras.  Ou seja, é ele o responsável por facilitar que todos consumam determinadas carcaças.

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

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Águias - Hábeis predadoras  escrito em quinta 19 março 2015 20:41

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As águias-cobreiras como o próprio nome diz se alimentam de serpentes. Para caçá-las elas agem com extrema habilidade imobilizando-as na altura da cabeça. 

As diferentes espécies de águias, falcões e gaviões caçam uma infinidade de presas – sendo mamíferos com até 1,5 kg, como coelhos e lebres, e pássaros grandes, como perdizes e faisões, suas presas favoritas. Contudo, certas iguarias do cardápio dessas aves são muito perigosas, dando trabalho pra serem apanhadas. Dentre os bichos mais letais que fazem parte da dieta dos rapinantes estão às serpentes. Sabe-se que muitos dos ofídios predados por eles são víboras peçonhentas.

Quando decide atacar uma cobra, o rapinante age com o máximo de cautela, pois, o predador pode ser vítima da picada do réptil. Nesses casos, o rapinante costuma atacar, imobilizar e golpear mortalmente a serpente na altura da cabeça. Depois a engole.

Além das cobras, as águias também desafiam cervos, raposas, lobos e ursos filhotes (esses últimos animais predados são presas perigosas já que estão sempre em companhia da zelosa genitora). Entretanto nem mesmo a presença de um urso adulto é intimidador o suficiente para desencorajar uma águia-dourada (Aquila chrysaetus) de seu intento; inclusive, já se tem registro desse temeroso confronto em território Norueguês onde a grande águia apareceu do nada e “arrebatou” um filhote de urso que andava com seu irmão e a mãe no alto de uma escarpa coberta de neve. Realmente uma cena impressionante!

Há lendas que associam as águias-douradas ao rapto de crianças. É verdade que elas, quando adultas, têm força para erguer presas de até 5 quilos. Mas, por mais que a façanha seja possível, até hoje nunca foram registrados casos de ataques de águias-douradas contra humanos.

Em épocas de escassez as águias devoram de bom grado répteis, peixes e anfíbios. Também aproveitam a chance de saborear carcaças quando a oportunidade aparece. No entanto o item mais estranho do eclético cardápio de certas espécies de águias são as tartarugas-testudo. Para comê-las, as águias-douradas que vivem no sudeste da Europa e na Ásia Central as apanham e as levam pelos ares para arremessá-las contra rochas até que os cascos se quebrem e elas possam se fartar do conteúdo. 

 

 

 

 

 

 

José Henrique Moskoski

Escritor e Pesquisador de Vida Selvagem

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